A conexão com a natureza, a memória e a origem nem sempre nasce de um plano. Muitas vezes, ela se revela ao longo do caminho, nas experiências vividas, nos lugares habitados e nos reencontros silenciosos com aquilo que sempre esteve presente.

Esta é a história de como a relação com a terra, as paisagens percorridas e o retorno a uma origem sensível se transformaram em um processo criativo profundamente ligado à natureza e aos elementos.

As primeiras memórias e o vínculo com a terra

Nasci no Paraná e vivi pouco tempo por lá. Ainda assim, as primeiras memórias que carrego vêm da terra. Meu primeiro bichinho de estimação foi um galo. Eu brincava descalça, sujava as mãos, observava o tempo passar entre uma planta e outra, e adorava “desplantar” os jardins de Tamboara — mesmo sem compreender exatamente o que aquilo significava.

Hoje, olhando para trás, percebo que ali já existia um vínculo silencioso com a natureza, construído antes mesmo de qualquer consciência sobre criação ou identidade.

Os caminhos percorridos e as paisagens que moldam

Com o tempo, a vida começou a se expandir. Vieram outros lugares, outros ritmos e outras paisagens: Campinas, São Paulo, Estados Unidos, Aracaju. Cada cidade trouxe aprendizados, referências culturais e novas formas de olhar o mundo.

Cada mudança deixou marcas — algumas mais sutis, outras profundas. Ainda assim, algo permanecia adormecido, aguardando o momento certo para reaparecer.

Goiânia e o reencontro com a origem

Foi em Goiânia que esse reencontro aconteceu. Aqui, senti que comecei a resgatar o que sempre esteve em mim. O contato com a natureza voltou a fazer parte do cotidiano de maneira simples e genuína.

Andar descalça na terra deixou de ser exceção e passou a ser hábito. O tempo ganhou outra textura. Cheguei ao ponto de viver em um lugar onde até um porco-espinho nos visitou no fim do ano — como se a própria paisagem confirmasse que aquele retorno fazia sentido.

De certa forma, foi aqui que me reconectei com minha origem. Aquele pequeno fragmento do Paraná vivido na infância não ficou restrito à memória; ele voltou a existir como experiência diária.

Quando a natureza se transforma em criação

Talvez seja por isso que tantas coleções nasçam da natureza. Dos elementos que não se explicam apenas pela forma, mas pela sensação que despertam. Das texturas, dos ciclos, das paisagens internas e externas que atravessaram minha história ao longo dos anos.

Cada criação carrega um pouco dessa diversidade de caminhos, lugares e reencontros. Um reflexo de tudo aquilo que foi vivido, deslocado, redescoberto — e acolhido no processo de criar.


Perguntas frequentes

O que inspira coleções criadas a partir da natureza?
As coleções nascem da relação com a terra, das experiências sensoriais vividas ao longo do tempo e do contato contínuo com paisagens naturais que despertam memória e sensações.

Por que a natureza é uma referência constante no processo criativo?
Porque ambientes naturais ajudam a resgatar ritmos mais orgânicos, estimulam a percepção e influenciam diretamente escolhas estéticas, materiais e conceituais.

Como a história pessoal influencia a criação das coleções?
As vivências em diferentes lugares, os deslocamentos e o reencontro com a origem moldam referências, sensações e caminhos criativos que se refletem em cada coleção.

Qual a relação entre memória e criação autoral?
A memória funciona como um fio condutor. Ela conecta experiências passadas ao presente, transformando vivências em criações que carregam significado e identidade.